sábado, 21 de março de 2009

Pessoas de Plástico


Meia-noite. Arena lounge.

- São dois Gingerale, um carioca de limão, um capuccino e um café, por favor.

Estávamos em amena cavaqueira quando aquela rapariga esguia, de fato brilhante muito justo, se posicionou no centro daquele autêntico bar-carrossel.

Mudou a luz, o som, e ela começou a contorcer-se da forma mais elegante que tenho visto, revelando uma elasticidade invejável, quase desumana, como se de uma boneca de plástico se tratasse… A bola gigante, transparente, desceu do tecto lentamente e capturou-a, arrastando consigo aquele espectáculo de contorcionismo ate bem perto do tecto do Casino Lisboa, onde todos a podiam ver. Perante tamanha destreza… até parecia fácil!

As pessoas são feitas de vários tipos de plástico. Há aquelas que sustentam a sua vida em plástico. Levam a vida obcecadas com a sua aparência, usam kilos de maquilhagem, fazem operações e recorrem aos últimos gritos na inovação estética para disfarçar a imperfeição X ou eliminar o defeito Y. E como o que é demais parece mal, tornam-se seres irreconhecíveis por detrás de tamanhas máscaras. Perdem os traços característicos e muitas das vezes… o próprio conteúdo. Há outras que são obrigadas a ter a elasticidade do plástico. Necessitam de um contorcionismo inimaginável para suportar as dificuldades de todo um mês, as despesas da casa, do carro, dos filhos, da comida e das contas para pagar, para terem tempo para trabalhar, tratar das crianças, tratar da casa, dar amor e atenção à família e aos amigos, ir ao supermercado e enfim, dormir, sonhar com uma vida melhor. Há ainda as que são tão moldáveis como o plástico. Mudam de opinião ao sabor da opinião dos outros, não pensam sozinhas, são facilmente influenciáveis, moles, ocas e nada de fiar.

Vendo bem, toda a gente tem um pouco de plástico na sua vida. Seja no corrector de olheiras, na mentirinha que se viram “obrigadas” a dizer, na simpatia forçada que o emprego uma ou outra vez exige, na tentativa de parecerem bem quando estão mal… enfim… talvez um pouco de plástico ate nem faça mal… Há que saber reciclar(-nos)!


Sem comentários: